Os dois artigos aqui reproduzidos foram escritos pelo Pastor Capelão João Filson Soren, quando se encontrava na Itália integrando a Força Expedicionária Brasileira. Foram publicados pela primeira vez no jornal Diário de Notícias, em maio de 1945, posteriormente em outros jornais brasileiros.

 

   "       neve é o branco absoluto, o branco imaculado, a alvura incomparável que                             nasceu das Mãos puríssimas que criaram o universo, e que desce das nuvens em flocos diminutos “como pétalas de lírios soltas ao vento”.

 

Quem vê a neve pela primeira vez experimenta um estranho deslumbramento, sente o enlevo dessa perfeição em branco. Algumas pessoas tem reações fortes, como escurecimento da vista, tonteiras, vertigens, nostalgias, volúpias, etc.  Dizem que isso é o resultado do excesso de luz branca, e a supressão das cores no ambiente natural da vida. A luz afeta diretamente as reações emotivas. Os coloridos da natureza evidentemente influenciam, se é que em grande parte não determinam, as nuanças de nossa contextura psicológica, pelo menos no tocante ao temperamento.

 

 

O temperamento do povo italiano bem pode ser um reflexo mesológico desta terra de coloridos fortes e variadíssimos nos panoramas belos que oferece. Assim também a arte italiana. Pode melhor compreender a arte italiana quem a aprecia na própria Itália. A arte italiana é mais do que a estampa espiritual de uma raça na tela, no mármore e na pauta musical. Não representa tão somente a índole artística e a evolução de uma nacionalidade. O âmago, a alma da arte italiana tem afinidades com a Terra que lhe serviu de berço. Tem-se a impressão que só nesta terra poderia florescer esta arte. É, por assim dizer, a voz da própria terra, que fala pela apurada sensibilidade estética e artística que imprimiu aos seus filhos.

A

Itália, 20 de maio de 1945.

Itália, abril de 1945.

    Capelão Soren

 

Capelão Soren